Projeto Vida Marinha


 

         

   

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Meio Ambiente Marinho Cearense

TEMA 1: Meio ambiente marinho cearense (Visão geral).  

 

Tópico 1. 

Como era a vida marinha cearense como um todo.

 

Até a década de oitenta para o início da década de noventa, a vegetação marínha cearense (ictiofauna) era muito abundante, onde vários cardumes de pargo, cangulo, serra, cavala e outras espécies de peixes proliferavam o local. Esta vegetação em alguns pontos alcançava cerca de um metro de altura e até mais em uma profundidade de 20, 25 e 30m (raso).

 

Nesta época as empresas e os profissionais de pesca eram muitos, entre as maiores podiam ser citadas: empesca, embrapesca, ipecea, amazônica, ipesca e várias outras menores que movimentavam um mercado com alto faturamento e alimentavam o comércio pesqueiro principalmente o da região. Estas empresas operavam com grandes barcos e isto resultava em vários empregos no setor, entre eles, pescadores, motoristas de pesca, mestres de barcos, administrativos e muitos outros diretos e indiretos. Além disso, a pesca realizada em jangadas contribuía também para o aquecimento deste mercado devido a grande quantidade de peixes e outras espécies marinhas. O camarão e a lagosta eram extraídos em grande quantidade, consequentemente o setor pesqueiro era próspero e todos viviam bem cada um em seu nível profissional.

 

A maior manifestação folclórica anual que acontece em 29 de junho, por ocasião da comemoração da festa de São Pedro, padroeiro dos pescadores, é uma procissão realizada no mar entre pescadores, a paróquia de Nsa. Senhora da Saúde, no mucuripe, e a Igreja de São Pedro. Nesta época realizava-se uma grande festa com a participação de muitos barcos pesqueiros a motor e dezenas de jangadas, havia a queima de fogos, danças na praia, e a celebração de uma missa realizada na Igreja de São Pedro (Av. Beira Mar) ao final da festa. O ambiente retratava a alegria, o prazer de ser pescador e a fartura (o sucesso) em que vivia o setor pesqueiro cearense.   

 

 

Tópico 2

Como se encontram hoje nossos recursos naturais marinhos e o que aconteceu com eles.   

 

 

A partir da década de noventa, estes mananciais começam a ficar escassos, a vegetação foi sendo desmatada, a extração das espécies marinhas passou a ser feita cada vez mais de forma acelerada e desordenada, o uso de caçoeiras (redes de pesca feitas de nylon em forma de emalhe), muito comum na pesca comercial varria mais ainda aquela vegetação, seus galhos ao chegar a bordo dos barcos eram triturados pelos pescadores a golpes de porrete para acelerar o processo de limpeza das mesmas, atitude considerada normal por ocasião daquele trabalho e assim iniciar nova operação. Com a matança desta vegetação, verdadeiros recifes naturais que outrora foram abundantes na região cearense desapareceram. Várias espécies de peixes começaram a migrar de seu habitat natural a procura de outras regiões a exemplo do cangulo, a extração de peixes em tamanho inferior para sua reprodução aumentou significativamente e estas espécies passaram a figurar na lista dos ameaçados de extinção, como o pargo, o mero, a lagosta e muitos outros. Inicia-se uma situação difícil na pesca e este é um quadro que ainda vemos crescendo hoje nas comunidades pesqueiras do litoral cearense.

 

As grandes empresas de pesca encerraram suas atividades, mudaram de ramo e/ou se deslocaram para outras regiões por falta de condição de abastecer seus barcos para vários dias no mar por conta do alto preço do combustível para pouca produção de pescado. Os pequenos produtores também passaram a sofrer esta consequência.

Vivemos hoje sob uma séria crise ecológica e ambiental marinha devido à grande escassez de peixes e de recursos. Também os jangadeiros sofrem drásticas consequências obrigando-os a exemplo de outros trabalhadores do setor migrar para outras atividades adversas. A falta de informação do homem pescador em relação à preservação do seu ambiente é que pintou este quadro e o gerenciamento desta informação é precária para a maioria destes profissionais.

 

Existe hoje uma grande dificuldade até mesmo para se realizar sua principal festa, a celebração ao seu santo padroeiro e houve um ano em que a mesma nem foi realizada, privando dessa forma a expressão cultural de um povo. O meio ambiente marinho cearense pede socorro, e neste ponto o Projeto Vida Marinha pede sua reflexão.

 

 

 

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